Brasil é campeão mundial... no desperdício de água

Publicado em 4 de setembro de 2010

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O Brasil possui a maior reserva de água doce do planeta. A má notícia, porém, é que ele é o campeão mundial de desperdício de sua água potável com perdas que ultrapassam 46%. O suficiente para abastecer a França, a Bélgica, a Suíça e o norte da Itália. Sem contar com a crise de abastecimento que vem sendo observada nas regiões sul e sudeste do país, por exemplo, graças ao desperdício e o descaso com que o governo e a grande maioria da população dispensam à nossa tão preciosa água.

 

Apesar dos alertas de inúmeros especialistas através de programas e de campanhas de sustentabilidade, pesquisas revelam que o desprezo vem se generalizando e agravando cada vez mais a escassez dos recursos hídricos. Vale salientar que quase metade da água disponível para o consumo através das redes distribuidoras perde-se antes mesmo de chegar ao consumidor, em decorrência das incontáveis redes clandestinas que surgem da noite para o dia, ou, o que é pior, por meio de vazamentos, talvez um dos maiores vilões do desperdício de água potável do mundo.

 

Um sério agravante para a situação do Brasil, ainda, vem de sua geografia. A maior reserva de água doce do país encontra–se na região do Amazonas, que ironicamente abriga o menor número de habitantes. Consequentemente, os maiores problemas de abastecimento encontram-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, onde vive a maioria das pessoas. Em números, signica que 73% da água doce do país está na bacia amazônica, onde moram 5% dos brasileiros, e apenas 27% é que abastecem os 95% da população que se encontram nas outras regiões.

 

A escassez de fontes potáveis é mundial e vem se agravando profundamente. De acordo com a ONU, um em cada seis habitantes do planeta não tem acesso a água potável e 4 mil crianças morrem diariamente por causa de água contaminada. Triste, porém, é saber que o dono do maior tesouro natural do planeta, leva o título de campeão mundial de desperdício desta mesma riqueza. Chega a ser um tanto quanto egoísta para com a Terra, seja pela falta de consciência ecológica ou pelo desprezo total ao próximo e consequentemente aos seus descendentes.