Erosão em estradas rurais são uma tragédia ecológica

Publicado em 4 de setembro de 2010

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O solo, patrimônio da Humanidade, se esvai na força das chuvaradas, e as estradas rurais representam um grande vilão neste ponto. Agrônomos estimam que até 50% da perda de solos em certas regiões paulistas são provocadas pela água canalizada no leito das estradas rurais.

Com montes de terra às beiras das estradas rurais, essas altas laterais impedem que as enxurradas se dispersem, canalizando-as sempre rumo à descida. Aqui mora o terrível problema. Quando naquele lugar surgiu a estrada, os veículos certamente passavam no mesmo nível da paisagem. Inexistiam os barrancos. A cada chuva entretanto, forma-se um barreiro. Vem a máquina e aplaina o chão, retirando a terra solta. Passam os anos, o leito carroçável vai devagar se aprofundando, encaixando-se no terreno. A motoniveladora apenas penteia a estrada.

Idéias conservacionistas, com ênfase na estrada rural, inspiraram os agrônomos da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) a desenvolverem o programa “Melhor Caminho”. Um conjunto de técnicas de mecanização agrícola, com o objetivo de impedir que as estradas favoreçam a formação das enxurradas. O programa provoca uma pequena revolução na roça. Crianças deixam de perder aula na época das chuvas. Agricultores escoam sua safra sem medo do atoleiro. Prefeituras economizam na manutenção das estradas. Mananciais param de sofrer com o assoreamento. Enfim, um bom e melhor caminho a ser seguido.