Simplicidade rural para a arquitetura sustentável

Publicado em 4 de setembro de 2010

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As antigas e rústicas casas de pau a pique, feitas de ripas ou varas de bambu entrecruzadas e barro, utilizadas principalmente em moradias rurais, voltam a ganhar espaço como parte da era da sustentabilidade na arquitetura contemporânea.

Em pleno século XXI, arquitetos e especialistas em construção civil ao falarem em pau a pique, não se referem aos casarões e fazendas da era do café ou aos toscos e precários casebres dos séculos passados, mas sim à casas ecológicas; bioconstrução; arquitetura "verde”, ou qualquer outra denominação que remeta à crescente demanda inevitàvel de se construir sustentavelmente, cada vez mais. Infelizmente, porém, esta ideia parece estar bem longe da mentalidade da população carente de áreas rurais e das periferias das grandes cidades, que vem optando, cada vez mais, pela construção com os custosos e nada ecológicos tijolos baianos.

Mesmo considerando que a grande maioria dos materiais ecologicamente corretos destinatos à construção civil não são nada baratos, o custo de uma bioconstrução pode ser até 30% mais baixo, no caso do feitio de casas populares a base de barro. Uma opção mais barata, que devidamente planejada e aliada a técnicas simples e modernas, pode contribuir também para um menor impacto ambiental.

É o que garante o arquiteto holandês Johan van Lengen através do Manual do Arquiteto Descalço. Um livro de 714 páginas com orientações sobre a fusão de técnicas tradicionais e modernas para se criar com simplicidade; segurança e o devido controle de qualidade, "ambientes mais harmoniosos para se viver", diz Lengen. "Na antiguidade, os primeiros arquitetos amassavam a terra com os pés, para preparar os tijolos. Arquitetos descalços pisando a terra, uma imagem distante de nossa realidade que se afasta cada vez mais da natureza".

Fonte: Manual do Arquiteto Descalço e Planeta Sustentável